Entrámos em 2026 cansados. Não cansados de trabalhar — cansados de decidir, de reagir, de estar sempre disponíveis, sempre ligados, sempre a responder a estímulos que raramente escolhemos conscientemente. Vivemos rodeados de informação, mas com pouca clareza. Temos mais ferramentas do que nunca, mas menos silêncio interior. Temos acesso a tudo — e tempo para quase nada. Não é falta de oportunidades. É excesso de dispersão. A tecnologia prometeu libertar tempo, mas muitas vezes apenas acelerou o ritmo. A inteligência artificial entrou no trabalho, nas casas, nas decisões. Automatizámos processos, encurtámos caminhos, multiplicámos possibilidades. Mas há algo que nenhuma máquina resolve: a qualidade das escolhas que fazemos quando ninguém está a olhar. O mundo não precisa de mais velocidade. Precisa de mais critério. 2026 não chega como um ano mágico. Chega como um espelho. Um espelho que nos obriga a olhar para a forma como estamos a viver, a trabalhar, a relacionar-nos, a...
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