Dizemos tantas vezes que não temos tempo.
Tempo para nós, para parar, para respirar, para sentir.
Mas a verdade — aquela que tentamos evitar — é que o tempo nunca foi o problema.
O problema é a ordem interna das tuas prioridades.
Há sempre tempo para aquilo que decides que importa.
Para aquilo que deixas entrar.
Para o que permites ocupar espaço dentro de ti.
E quando dizes que não tens tempo, o que estás realmente a dizer é:
“Eu ainda não me escolhi.”
Não por maldade.
Não por fraqueza.
Mas por hábito.
Hábito de ficar para depois.
Hábito de resolver o mundo antes de resolver-te a ti.
Hábito de carregar culpas que não são tuas.
Hábito de acreditar que cuidar de ti é luxo — quando, na verdade, é fundamento.
O corpo percebe.
A mente protesta.
A alma grita em silêncio.
E tu respondes sempre com a mesma frase automática:
“Agora não dá.”
Mas dá.
Daria sempre — se fosses prioridade na tua própria vida.
Quando deixas de te escolher, o tempo não desaparece.
Ele fica lá.
Fica à tua espera.
Pacientemente.
Como quem observa alguém que esqueceu onde é a casa.
E há um momento em que a vida cobra.
Cobra aquilo que tu recusaste dar-te:
descanso, presença, toque, verdade, pausa.
Só que nenhum destes precisa de muito tempo.
Precisa apenas de permissão.
Permissão para sentir.
Permissão para parar.
Permissão para voltar.
Não é falta de tempo.
É falta de ti em ti.
E quando finalmente te colocas no centro,
o tempo ajusta-se.
Abre espaço.
Acompanha-te.
Porque o tempo nunca foi o obstáculo.
Foste sempre tu — e a forma como escolheste (ou não escolheste) viver-te.
Hoje, escolhe-te primeiro.
Nem que seja por cinco minutos.
O teu corpo, a tua alma e a tua vida inteira vão te agradecer.
LP🦋
Foto by Geranimo, unsplash
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