Avançar para o conteúdo principal

Não é Falta de Tempo, é Falta de Prioridade Interna


Dizemos tantas vezes que não temos tempo.
Tempo para nós, para parar, para respirar, para sentir.
Mas a verdade — aquela que tentamos evitar — é que o tempo nunca foi o problema.

O problema é a ordem interna das tuas prioridades.

Há sempre tempo para aquilo que decides que importa.
Para aquilo que deixas entrar.
Para o que permites ocupar espaço dentro de ti.

E quando dizes que não tens tempo, o que estás realmente a dizer é:
“Eu ainda não me escolhi.”

Não por maldade.
Não por fraqueza.
Mas por hábito.

Hábito de ficar para depois.
Hábito de resolver o mundo antes de resolver-te a ti.
Hábito de carregar culpas que não são tuas.
Hábito de acreditar que cuidar de ti é luxo — quando, na verdade, é fundamento.

O corpo percebe.
A mente protesta.
A alma grita em silêncio.
E tu respondes sempre com a mesma frase automática:
“Agora não dá.”

Mas dá.
Daria sempre — se fosses prioridade na tua própria vida.

Quando deixas de te escolher, o tempo não desaparece.
Ele fica lá.
Fica à tua espera.
Pacientemente.
Como quem observa alguém que esqueceu onde é a casa.

E há um momento em que a vida cobra.
Cobra aquilo que tu recusaste dar-te:
descanso, presença, toque, verdade, pausa.

Só que nenhum destes precisa de muito tempo.
Precisa apenas de permissão.

Permissão para sentir.
Permissão para parar.
Permissão para voltar.

Não é falta de tempo.
É falta de ti em ti.

E quando finalmente te colocas no centro,
o tempo ajusta-se.
Abre espaço.
Acompanha-te.

Porque o tempo nunca foi o obstáculo.
Foste sempre tu — e a forma como escolheste (ou não escolheste) viver-te.

Hoje, escolhe-te primeiro.
Nem que seja por cinco minutos.
O teu corpo, a tua alma e a tua vida inteira vão te agradecer.

LP🦋

Foto by Geranimo, unsplash

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Essência não é um Espaço, é um Estado

Há lugares que não se medem em metros quadrados. Medem-se em respirações. Em pausas. Em silêncios que sabem mais do que qualquer palavra. Essência é assim. Não começa na porta que se abre nem termina na marquesa, no sofá ou na cadeira onde repousas. Essência acontece antes — muito antes — dentro de ti. É aquele instante quase imperceptível em que o corpo te fala, e tu, pela primeira vez em demasiado tempo, deixas de fugir. É o sussurro que te diz “para”. É o murmurinho interno que te pede: “volta”. Essência é o regresso ao que é simples. Ao que é verdadeiro. Ao que permanece quando todas as máscaras caem e nada sobra… a não ser tu. Quando alguém pousa as mãos sobre ti, não está apenas a tocar músculo. Está a tocar memórias. A desalojar cansaços antigos. A abrir espaço dentro do que já estava cheio demais. E, por um momento breve — mas infinitamente teu — o mundo abranda. A respiração desce ao lugar certo. E tu também. Porque Essência não é o lugar onde entras. É o estado em...

☕ 2026: Menos Ruído, Mais Verdade

Entrámos em 2026 cansados. Não cansados de trabalhar — cansados de decidir, de reagir, de estar sempre disponíveis, sempre ligados, sempre a responder a estímulos que raramente escolhemos conscientemente. Vivemos rodeados de informação, mas com pouca clareza. Temos mais ferramentas do que nunca, mas menos silêncio interior. Temos acesso a tudo — e tempo para quase nada. Não é falta de oportunidades. É excesso de dispersão. A tecnologia prometeu libertar tempo, mas muitas vezes apenas acelerou o ritmo. A inteligência artificial entrou no trabalho, nas casas, nas decisões. Automatizámos processos, encurtámos caminhos, multiplicámos possibilidades. Mas há algo que nenhuma máquina resolve: a qualidade das escolhas que fazemos quando ninguém está a olhar. O mundo não precisa de mais velocidade. Precisa de mais critério. 2026 não chega como um ano mágico. Chega como um espelho. Um espelho que nos obriga a olhar para a forma como estamos a viver, a trabalhar, a relacionar-nos, a...