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Não ❧

Photo by Annie Spratt on Unsplash

Não. Não temos sempre resposta para tudo. Não. Nem tudo na vida tem uma solução. E não. Nem tudo na vida acaba bem. Temos de aceitar a dura realidade.
Nem tão pouco dá para estarmos todos os dias com um sorriso nos lábios. Não. Hoje não me apetece. Porém, não raras vezes preferimos fingir que está tudo bem. Preferimos dar um sorriso, na esperança de que ninguém nos faça perguntas para as quais não temos resposta. Ou até temos, mas não queremos falar. Temos esse direito!
Acontece que quando sorrimos e não temos vontade, quando dizemos que está tudo bem, mas não está, acabamos vitimas de uma deterioração muda.
Fingir felicidade para sermos aceites é absolutamente errado, mas a verdade é que a maioria de nós comete este erro como se normal fosse. Fingimos bem-estar, aparentamos uma alegria que não existe. Este é o primeiro passo para que corra tudo mal!
Por isso, para o bem ou para o mal, devemos ter a coragem de não sorrir quando não temos vontade e de não querer agradar a tudo e a todos. Temos o direito de ter dias menos bons.
Fingimos para evitar preocupações, mas isso só nos causa desgaste emocional. Só nos aperta mais o coração.
Calamos sentimentos e isso corroí-nos a alma. Ficamos reféns do desgosto, da amargura. Fingir também é doloroso, também magoa e absorve-nos sem darmos conta.
Não agir em consciência torna-nos incapazes de manifestar o que verdadeiramente sentimos e acabamos numa espiral sem fim. Não raras vezes leva à depressão, ansiedade, ao desespero.
Por isso, aceitar tudo o que sentimos, de bem e de mal, é o primeiro passo para o nosso bem-estar e para uma consciência tranquila. Temos que nos amar porque só assim podemos amar o outro. Temos que aprender a olhar para a vida sem medos, sem hesitações, sem pressões. Temos de aprender a falar com nós próprios. Só o nosso diálogo interior nos vai dizer verdadeiramente o que nos vai no coração.
É fundamental respeitar o nosso silêncio e aprender que a única forma de alcançarmos o bem-estar é aprendermos a nos respeitarmos. A dar-nos o direito de não nos sentirmos bem e de não termos de fingir.
É preciso aprender a dizer Não! Porque aceitar o que sentimos é o primeiro passo para o nosso bem-estar!

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