Avançar para o conteúdo principal

Sê inteira

Photo by Yoann Boyer on Unsplash

Não penses para amanhã. Não lembres o que foi de ontem. A memória teve o seu tempo quando foi tempo de alguma coisa durar. Mas tudo hoje é tão efémero. Mesmo o que se pensa para amanhã é para já ter sido, que é o que desejamos que seja logo que for. É o tempo de Deus que não tem futuro nem passado. Foi o que dele nós escolhemos no sonho do nosso absoluto. Não penses para amanhã na urgência de seres agora. Mesmo logo à tarde é muito tarde. Tudo o que és em ti para seres, vê se o és neste instante. Porque antes e depois tudo é morte e insensatez. Não esperes, sê agora. Lê os jornais. O futuro é o embrulho que fizeres com eles ou o papel urgente da retrete quando não houver outro."  Vergílio Ferreira, in "Escrever
                                               ↭↭↭↭

Simplifica a tua vida, porque é na simplicidade que está o grande segredo.
Onde está a magia da vida? Nas situações mais complicadas? Ou nos momentos mais simples, mais sinceros?
Tenho para mim que está em tudo o que tocamos. Em tudo o que decidimos dar o nosso tempo. Em tudo aquilo que nos dedicamos. Na vida, nos amores, nas amizades, na família, no trabalho.
Sei que é nas situações mais complicadas que damos conta de quem está, efetivamente, connosco. De quem está disposto a chorar connosco, mas também a rir connosco, a viver connosco.
Mas também é no mais simples que sabemos quem nos acompanha nesta vida, efémera.
Liberta-te das incógnitas da vida. Liberta-te de tudo o que te causa mágoa. Liberta-te de tudo o que não te dá valor, o teu verdadeiro valor.
Vive. Acima de tudo vive hoje.
O futuro vem sempre depois do amanhã. Por isso aproveita para sorrir hoje, para abraçar hoje, para beijar hoje, para dizer a alguém que o amas hoje, para seres feliz hoje.
Sê inteira. Sê tu na tua inteira infinidade. Não queiras metade do que mereces. Deves querer, sim, tudo na exata medida em que dás. A isto chama-se conexão!

Comentários

Mensagens populares deste blogue

Essência não é um Espaço, é um Estado

Há lugares que não se medem em metros quadrados. Medem-se em respirações. Em pausas. Em silêncios que sabem mais do que qualquer palavra. Essência é assim. Não começa na porta que se abre nem termina na marquesa, no sofá ou na cadeira onde repousas. Essência acontece antes — muito antes — dentro de ti. É aquele instante quase imperceptível em que o corpo te fala, e tu, pela primeira vez em demasiado tempo, deixas de fugir. É o sussurro que te diz “para”. É o murmurinho interno que te pede: “volta”. Essência é o regresso ao que é simples. Ao que é verdadeiro. Ao que permanece quando todas as máscaras caem e nada sobra… a não ser tu. Quando alguém pousa as mãos sobre ti, não está apenas a tocar músculo. Está a tocar memórias. A desalojar cansaços antigos. A abrir espaço dentro do que já estava cheio demais. E, por um momento breve — mas infinitamente teu — o mundo abranda. A respiração desce ao lugar certo. E tu também. Porque Essência não é o lugar onde entras. É o estado em...

Não é Falta de Tempo, é Falta de Prioridade Interna

Dizemos tantas vezes que não temos tempo. Tempo para nós, para parar, para respirar, para sentir. Mas a verdade — aquela que tentamos evitar — é que o tempo nunca foi o problema. O problema é a ordem interna das tuas prioridades. Há sempre tempo para aquilo que decides que importa. Para aquilo que deixas entrar. Para o que permites ocupar espaço dentro de ti. E quando dizes que não tens tempo, o que estás realmente a dizer é: “Eu ainda não me escolhi.” Não por maldade. Não por fraqueza. Mas por hábito. Hábito de ficar para depois. Hábito de resolver o mundo antes de resolver-te a ti. Hábito de carregar culpas que não são tuas. Hábito de acreditar que cuidar de ti é luxo — quando, na verdade, é fundamento. O corpo percebe. A mente protesta. A alma grita em silêncio. E tu respondes sempre com a mesma frase automática: “Agora não dá.” Mas dá. Daria sempre — se fosses prioridade na tua própria vida. Quando deixas de te escolher, o tempo não desaparece. Ele fica lá. Fica à tua e...

☕ 2026: Menos Ruído, Mais Verdade

Entrámos em 2026 cansados. Não cansados de trabalhar — cansados de decidir, de reagir, de estar sempre disponíveis, sempre ligados, sempre a responder a estímulos que raramente escolhemos conscientemente. Vivemos rodeados de informação, mas com pouca clareza. Temos mais ferramentas do que nunca, mas menos silêncio interior. Temos acesso a tudo — e tempo para quase nada. Não é falta de oportunidades. É excesso de dispersão. A tecnologia prometeu libertar tempo, mas muitas vezes apenas acelerou o ritmo. A inteligência artificial entrou no trabalho, nas casas, nas decisões. Automatizámos processos, encurtámos caminhos, multiplicámos possibilidades. Mas há algo que nenhuma máquina resolve: a qualidade das escolhas que fazemos quando ninguém está a olhar. O mundo não precisa de mais velocidade. Precisa de mais critério. 2026 não chega como um ano mágico. Chega como um espelho. Um espelho que nos obriga a olhar para a forma como estamos a viver, a trabalhar, a relacionar-nos, a...