Entrámos em 2026 cansados. Não cansados de trabalhar — cansados de decidir, de reagir, de estar sempre disponíveis, sempre ligados, sempre a responder a estímulos que raramente escolhemos conscientemente. Vivemos rodeados de informação, mas com pouca clareza. Temos mais ferramentas do que nunca, mas menos silêncio interior. Temos acesso a tudo — e tempo para quase nada. Não é falta de oportunidades. É excesso de dispersão. A tecnologia prometeu libertar tempo, mas muitas vezes apenas acelerou o ritmo. A inteligência artificial entrou no trabalho, nas casas, nas decisões. Automatizámos processos, encurtámos caminhos, multiplicámos possibilidades. Mas há algo que nenhuma máquina resolve: a qualidade das escolhas que fazemos quando ninguém está a olhar. O mundo não precisa de mais velocidade. Precisa de mais critério. 2026 não chega como um ano mágico. Chega como um espelho. Um espelho que nos obriga a olhar para a forma como estamos a viver, a trabalhar, a relacionar-nos, a...
Dizemos tantas vezes que não temos tempo. Tempo para nós, para parar, para respirar, para sentir. Mas a verdade — aquela que tentamos evitar — é que o tempo nunca foi o problema. O problema é a ordem interna das tuas prioridades. Há sempre tempo para aquilo que decides que importa. Para aquilo que deixas entrar. Para o que permites ocupar espaço dentro de ti. E quando dizes que não tens tempo, o que estás realmente a dizer é: “Eu ainda não me escolhi.” Não por maldade. Não por fraqueza. Mas por hábito. Hábito de ficar para depois. Hábito de resolver o mundo antes de resolver-te a ti. Hábito de carregar culpas que não são tuas. Hábito de acreditar que cuidar de ti é luxo — quando, na verdade, é fundamento. O corpo percebe. A mente protesta. A alma grita em silêncio. E tu respondes sempre com a mesma frase automática: “Agora não dá.” Mas dá. Daria sempre — se fosses prioridade na tua própria vida. Quando deixas de te escolher, o tempo não desaparece. Ele fica lá. Fica à tua e...